15 de ago de 2011

Por que os professores ainda sabem menos sobre internet que os alunos?

Li um post no blog Gizmodo sobre os resultados de uma pesquisa da Cetic.br (Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação) que aponta que muitos professores ainda sabem menos sobre internet que os alunos.

Segundo a pesquisa, 64% dos professores entrevistados acreditam que os alunos sabem mais sobre computador e Internet do que eles próprios. E isso mesmo que 90% dos professores tenham computador e 81% tenham internet em casa: dentre os alunos entrevistados, apenas 54% têm computador e 44% têm internet em casa. Apenas 4% das salas de aula têm computador.

Há alguns dias respondi a um contato do Facebook que estava interessada em entender melhor a minha dissertação do Mestrado em Educação para utilizar em um artigo científico e ela tocou em questões sobre algo similar: reproduzo abaixo parte da resposta que enviei à ela sobre esse problema e faço uma ressalva de que onde está escrito sobre ensino superior pode ser aplicado literalmente às situações problemáticas vividas pelos professores da Educação Básica.

Concordo em parte com sua afirmação de que “na graduação, o computador passou a fazer parte da lista de material do educando e seu uso se tornou rotineiro em praticamente todas as atividades”, pois ainda há dois problemas em diferentes instituições de ensino superior no país: professores sem formação para o uso do computador em sala de aula (e também para o uso virtual, na Educação a Distância) e a falta de acesso dos alunos à esse recurso. Nesse sentido ainda há uma grande necessidade de formação de professores e também de políticas de acesso ao computador e internet visando à inclusão digital do socialmente excluídos.
A análise que fez no segundo parágrafo está correta: realmente “o uso da informática não sofreu mudanças profundas e enfatiza-se basicamente na transmissão de informação”. Isso se deve ao fato de que a introdução da informática na educação nas escolas não está ocorrendo acompanhada de um processo formativo amplo que contemple além da formação técnica também a formação pedagógica. Em minha dissertação você encontrará inclusive a fala de uma professora que reclama dos cursos que são ofertados por secretarias de educação, que ela chamou de “cursos de futucar”. Tendo em vista esses problemas a maioria dos professores está utilizando a informática apenas para reforçar métodos de ensino tradicional e nesse sentido é preciso desmistificar no campo da educação a perspectiva de que a simples introdução do laboratório de informática na escola será sinônimo de mudanças no ensino. Novamente reafirmo que é preciso que a introdução dos computadores na escola seja acompanhada de um processo formativo amplo: não somente formação técnica, mas também pedagógica e política.

Alex Sandro C. Sant'Ana - (conteúdo enviado originalmente via Facebook no dia 1 de agosto de 2011)

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Sobre o autor

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Professor universitário. Graduado em Pedagogia. Especialista em Educação, Informática Educativa e Gestão e Design Instrucional para EaD Virtual. Mestre em Educação. Doutor em Educação.