8 de jun de 2009

Para a revista "The Economist", para melhorar a educação no Brasil é preciso enfrentar os sindicatos dos professores


A revista "The Economist" aparentemente está utilizando seu posicionamento relevante no mercado para tentar influenciar as políticas públicas da educação no Brasil tal como fizeram outros organismos internacionais no passado, incluindo aí a imprensa.

É repugnante ler a conclusão da última reportagem veiculada em que afirmam que é necessário combater os sindicatos dos professores para melhorar a qualidade da educação. Ora, os sindicatos dos professores são os responsáveis pelas lutas históricas por um educação pública, gratuita e de qualidade para todos. Foram os engajamentos político-sociais dos professores que evitaram a venda do sistema de ensino na década neoliberal dos anos de 1990. Infelizmente a revista afirma que os sindicatos dos professores "representam um grande obstáculo para melhorias".

Segundo a revista, "entre os principais motivos para a má qualidade da educação no país está o fato de muitos professores faltarem por diversas vezes às aulas e os altos índices de repetência, que estimulam a evasão escolar". Obviamente que se os professores faltam é porque podem estar doentes devido ao excesso de trabalho que a maioria precisa recorrer para obter um salário razoável; e se há falta de professores, que é diferente de professores que faltam, é porque os baixos salários reprimem qualquer jovem de querer ingressar no cursos de licenciatura e aqueles que ingressam talvez desistam do curso ao longo do percurso ou desistem da profissão assim que ingressam no mercado de trabalho. Além dos baixos salários há um considerável aumento da violência na escola e da violência escolar. É preciso portanto investigar as causas desses problemas ao invés de se chegar a conclusões precipitadas e sem compromisso algum com o desenvolvimento da educação no Brasil.

Ainda criticando os sindicatos dos professores, a publicação britânica afirma também que o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, por exemplo, se opôs "a uma proposta que obrigava os novos professores a fazerem testes para assegurar que são qualificados".

Bem, então que tal testes para assegurar que os políticos eleitos para os cargos públicos sejam qualificados? E testes para verificar o nível de compromisso social das empresas privadas com o campo da educação? E testes para verificar se os economistas possuem alguma visão de que os investimentos sociais podem ter uma relação direta com o desenvolvimento econômico? E testes para jornalistas da "The Economist" para averiguar a sua capacidade de entendimento das lutas históricas dos sindicatos dos professores no Brasil bem como de sua capacidade de análise das interferências de organismos internacionais, incluindo aí a imprensa, nas questões latino-americanas?
O jornalista da "The Economist" deveria garantir logo o CD "Grandes Sucessos da Bolsa": Porque se conselho fosse bom a "The Economist" não dava, vendia! :-D
E diga-se ainda que atualmente estamos sofrendo as consequências desses conselhos neoliberais adotados por muitos Estados e empresas no mundo :-/

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Sobre o autor

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Professor universitário. Graduado em Pedagogia. Especialista em Educação, Informática Educativa e Gestão e Design Instrucional para EaD Virtual. Mestre em Educação. Doutor em Educação.